🔒Filtro Bola Presa #12

A temporada do meu Houston Rockets tem sido incompreensível até agora: derrotas para times ruins, vitórias em cima de times bons, ninguém sabe onde enfiar Ty Lawson, Dwight Howard domina um jogo e some no outro, o técnico pirralho não faz ideia do que está fazendo. Mas nada é mais incompreensível do que a maravilhosa constatação de Sam Dekker no vestiário do Rockets: como raios a orelha do Dwight Howard pode ser TÃO PEQUENA?

Com a exposição de tão essencial mistério, Dwight Howard respondeu imediatamente no Twitter com outra constatação que atinge todos os seres humanos em um momento ou outro de suas vidas:

“Você é tão idiota, por que estamos sentados um do lado do outro e tweetando?”

Talvez porque se alguém falasse com ele, sua micro-orelha não seria capaz de registrar a informação sonora.


É oficial: o Wolves tem agora a pior porcentagem de vitórias dentre todas as equipes em atividade na NBA. Como isso aconteceu? Como é possível tamanha onda de fracasso com uma equipe que, no auge de Kevin Garnett, chegou às Finais do Oeste? Mark Porcaro sugere que grande parte da responsabilidade é da lendária noite de 23 de junho de 2011, quando o Wolves fez uma série de trocas que lascaram o futuro da equipe. O time tinha a segunda e a vigésima escolha no draft, mas depois de apostar no técnico Kurt Rambis para implementar o esquema dos triângulos num elenco abarrotado de novatos, a única prioridade da equipe era conseguir 4 milhões de dólares para pagar a multa e poder demitir o técnico fracassado. Essa prioridade levou o Wolves a fazer cinco trocas diferentes em apenas 90 minutos, num dominó maluco que fez com que o Wolves abrisse mão das escolhas que renderam Chandler Parsons, Donatas Motiejunas, Nikola Mirotic, Norris Cole, Bojan Bogdanovic, o reserva sensação Will Barton, o atual novato promissor Richaun Holmes, Andre Roberson e Alessandro Gentili, esse último tendo uma temporada excelente na Euroliga. Ao abrir mão de todos esses jogadores, a maioria deles titulares ou reservas importantes em suas equipes, o Wolves conseguiu uma escolha de draft para 2017 – que só contará se for uma das CINCO ÚLTIMAS – e 6 milhões de dólares em dinheiro para demitir seu técnico e tentar a sorte com outro. O único jogador real draftado pelo Wolves naquela noite, Derrick Williams, foi um desastre retumbante. Muitos erros foram cometidos pela franquia desde que perderam escolhas de draft na época do Garnett por mandar dinheiro por baixo dos panos para Joe Smith, mas essa noite de draft certamente foi um desastre que atrasou em muitos anos a reconstrução da equipe.


Muito interessante a lista dos dez atletas internacionais mais bem pagos da história da NBA: do décimo mais bem pago até o que recebeu mais grana, temos Kirilenko, Olajuwon, Ginóbili, Nenê, Ilgauskas, Tony Parker, Dikembe Mutombo, Steve Nash, Pau Gasol e Dirk Nowitzki. Andrei Kirilenko teve algumas temporadas incríveis, recebeu muita grana para ser a renovação do Jazz, mas nunca jogou na NBA o que jogava pela seleção da Rússia. Por outro lado, Tony Parker e Manu Ginóbili poderiam estar no topo dessa lista se tivessem jogado em qualquer outro time que não o Spurs, onde todo mundo topa receber salários menores para poder agregar o máximo de talento e maximizar as chances de título. Ilgauskas aparece na lista porque mesmo parecendo estar o tempo inteiro correndo embaixo d’água, era o que tinha de melhor numa época que via uma escassez enorme de pivôs. O Nenê também se aproveitou dessa fase, mesmo que suas lesões tenham atrapalhado seu valor de mercado. E Dirk Nowitzki está merecidamente no topo, não por necessariamente ter sido o melhor desses jogadores, mas por ter resistido a todas as besteiras que o Mavs já fez e ter confiado que o Mark Cuban iria sempre desembolsar o máximo de grana que pudesse para tornar o time competitivo. É justamente essa grana que coloca ele no topo dos mais bem pagos independente dos resultados.


Enquanto o Warriors perdeu um par de partidas graças à tal “maldição Bola Presa”, eis que o Spurs já quebrou seu recorde de vitórias por 25 pontos ou mais na história da franquia e não estamos nem no meio da temporada ainda. Não tem ninguém na NBA sequer perto de dar tanta LAVADA quanto a equipe de San Antonio.

Spurs

Se não bastasse, o Spurs também acaba de se tornar o primeiro time da história da NBA a ter uma sequência de 10 ou mais vitórias consecutivas em SEIS TEMPORADAS SEGUIDAS. É um grau de consistência que nenhuma equipe esportiva consegue sequer sonhar.

O time é tão consistente já faz tanto tempo que estão naquele ponto em que se o Gregg Popovich tirar férias de um mês, ninguém vai nem perceber. Olha o Spurs treinando eles próprios:

A única falta que o Popovich faria nesse altura do campeonato, é claro, seria a ausência de seu carinho eventual:

Pode ser o técnico mais linha dura da NBA atual, mas seu tchauzinho derrete corações. Só não derrete o do Parker, que sai com cara de “você me chamou para ISSO?”.


Matt Femrite está fazendo o que ninguém jamais ousou fazer: uma extensa análise estatística da jogada mais ignorada (pra não dizer a mais PANACA) do basquete, a BOLA AO ALTO. Depois de levantar dados de toda a história acessível da NBA, agora ele está analisando casos semanais de bolas ao alto durante os jogos e apontando os melhores no quesito. Quem diria que Steven “Scott” Adams seria o melhor da NBA no quesito e que ele tem tudo para quebrar recordes? Sua porcentagem de vitórias em bolas ao alto nessa temporada já é a melhor da história e suas vitórias no tapinha inicial o colocam entre os 10 melhores. Ele é oposto do Zaza Pachulia, que só vence 38% das bolas ao alto iniciais que disputa, um dos piores de todos os tempos.


Mas Zaza Pachulia não tem nada com que se preocupar, afinal ele é o SÉTIMO jogador mais votado para o All-Star Game. O motivo? Adoração incondicional por parte da população do seu país natal, a Georgia. Ao questionar a situação, o pessoal do “The Starters” foi alvo de dúzias de mensagens raivosas de fãs e descobriram campanhas para colocar Zaza no All-Star Game que incluem o presidente da Georgia e até propagandas na televisão envolvendo o exército nacional! E a gente que já achava ridículo as campanhas para levar o Leandrinho pro Jogo das Estrelas…


Mas ridículo mesmo foi a orelha do Marcin Gortat IMPLODIR após tomar uma cotovelada involuntária do Nikola Vucevic. O lance foi banal, mas a quantidade surreal de sangue não e Gortat teve que deixar a quadra mesmo querendo ficar para jogar. O cara é tão durão que fica fazendo piadinha mesmo com sua orelha parecendo uma beterraba queimada.

Eles me disseram ‘vá pra NBA, você vai gostar!’


O que raios foi esse torcedor simplesmente se levantando e TOCANDO A BUNDA do Mozgov no meio de um jogo? Uma coisa é a emoção de estar pertinho e mal acreditar que os jogadores são de verdade, outra é se achar no direito de APERTAR UM POPÔ só porque você está pagando um ingresso.


Ainda pertinho das primeiras fileiras, tivemos essa semana o Carmelo Anthony torcendo o pé bem feio ao pisar NUM ÁRBITRO durante um contra-ataque. A câmera do vídeo não mostra muito bem, mas na televisão deu pra ver direitinho o Carmelo tropicando no pé do juiz, que saiu de cena com a maior cara de “já estava assim quando eu cheguei!”

Mas Carmelo pode ficar tranquilo: os jogadores tiveram sua vingança nas mãos de Steven “Scott” Adams, o deus da bola ao alto:


O Warriors ainda vive e é nossa obrigação moral trazer alguns dos números bizarros dessa equipe à tona. Para termos ideia da importância do Draymond Green não apenas para a defesa (onde é meu Jogador de Defesa do Ano até agora) mas também no ataque, mais da metade das suas assistências na temporada (141 das 273) foram para Stephen Curry (72 delas) e Klay Thompson (69 delas). Isso mostra quão relevante ele é para os números dos dois maiores pontuadores da equipe – e o quanto ele melhora nisso o tempo inteiro. Na temporada passada, Green tinha dado 64 assistências para o Curry, número que ele já quebrou agora antes do meio da temporada!


O legado de Stephen Curry vai certamente para além das bolas de três pontos. Basta ver esse molequinho imitando os dribles maravilhosos do Curry com maestria, e os Globetrotters reproduzindo a rotina de aquecimento do Curry – só que sem a malemolência do Cara-de-bebê.


Podemos dar oficialmente por encerrada a maior sequência ativa de jogos seguidos disputados, que era de DeAndre Jordan. Foram 360 jogos consecutivos – quase CINCO ANOS – interrompidos não por uma lesão tola, por uma dor qualquer, por um enjôo simples, mas sim por uma PNEUMONIA. DeAndre não percebe nem quando está correndo pro lado errado da quadra, imagina se ele vai perceber qualquer doençazinha.

DJ


Chegou a hora tão esperada, nosso Momento Boban da semana. Que tal a paixão incondicional dos torcedores do Spurs associada ao terrível senso estético dos caipiras texanos? Resultado: um Boban mais feio do que o próprio Boban.

Mas essa maravilha da arte alternativa nem se compara com a enterrada que Boban deu na cabeça do Jeremy Evans e a falta técnica que ele levou em seguida por dar uma fungada no cangote do adversário, encarando aquela nuca por vários segundos constrangedores. Destaque também para o LaMarcus Aldridge no banco de reservas escondendo a risada com uma toalha.


Pra dar um apoio para os genéricos, é hora do Momento Boban cover: o Mavs sentou todos os titulares contra o Thunder e foi a hora do gigante da Tunísia, Salah Mejri, jogar sua primeira partida oficial na NBA. Foram 17 pontos e 9 rebotes em apenas 25 minutos de jogo, incluindo enterrada na cabeça do Serge Ibaka e uma movimentação ofensiva muito impressionante para um cara de 2,17m de altura. Na era dos pivôs-anões, os gigantes ainda vivem!


Não rola ter um Momento Boban e não ter um Momento Kobe-para-a-gente-se-despedir-sem-chorar-muito: nessa semana teve vídeo de despedida do Jerry West, o homem que trocou Divac por Kobe na noite do draft, contratou Shaq e Phil Jackson, e que hoje é um dos dirigentes do Warriors, onde rolou a homenagem. Dentre as coisas super emocionantes e elogiosas que Jerry West direcionou para Kobe, fico com essa abaixo:

“Não tenho certeza se as pessoas entendem o desejo enorme e o combustível incrível que levaram você a ser essa pessoa que você é hoje.”

Kobe Bryant transformou a NBA numa época em que isso era extremamente necessário, mas até hoje muita gente ainda não entende – ou não aceita – o desejo com que o Kobe entrou na Liga e manteve aceso até sua última temporada.


É algo que lembra o desejo de Kevin Durant uivando para sua alcateia, por exemplo…

…mas ao invés de fazer lá atrás, Kobe teria feito na frente.


O nível altíssimo da NBA fica mais evidente quando uns jogadores nada-a-ver vão jogar em outros países e dominam completamente todos os jogos, como um par de americanos aqui em nossa terra tupiniquim. Mas o que Michael Beasley está fazendo na China é outro nível, superior até às marcas que Stephon Marbury deixou por lá. Para se ter uma ideia, foram 63 pontos, 19 rebotes e 13 assistências para Michael Beasley no All-Star Game chinês. E isso que no passado ele já tinha estabelecido o recorde do evento com 59 pontos, o que pelo jeito não era suficiente, né.


Encerramos o filtro dessa semana com a cerimônia de aposentadoria da camiseta do melhor jogador da história da NBA a não saber jogar basquete: Ben Wallace. Todo boa pinta, elegante e garboso como nunca vimos em quadra, Ben Wallace deu um discurso emocionado e emocionante para os fãs de Detroit, provando que ele é mesmo uma lenda para a franquia mesmo sem nunca ter conseguido bater um único lance livre. Aquele Pistons de 2004 é uma exceção para todas as regras que conhecemos do basquete e Ben Wallace certamente é um dos grandes responsáveis por isso, com seu jogo nada convencional e zero habilidade ofensiva que mesmo assim dominava jogos inteiros. Se meu filho for ruim no basquete e mesmo assim sonhar com ser profissional, vou mostrar vídeos do Ben Wallace. Talento é superestimado.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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