🔒Filtro Bola Presa #26

Mais uma semana de NBA, mais uma coleção de causos pra se contar – especialmente para Stephen Curry, para quem os últimos dias foram especialmente movimentados. Pra começar, sua LENDÁRIA sequência de 157 jogos consecutivos com ao menos uma bola de três pontos convertida foi interrompida após 10 tentativas sem nenhum acerto contra o Lakers  na última sexta. A última vez que Curry não havia convertido uma bola de três pontos foi no dia 11 de novembro de 2014, praticamente dois anos atrás.

O mais surreal do recorde de 157 partidas consecutivas com bolas de três pontos convertidas é ver a lista com os recordes anteriores:

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Quando Kyle Korver ainda sabia arremessar, conseguiu 127 partidas seguidas com bolas de três; o terceiro colocado, Dana Barros, tem apenas 89 e abaixo disso ninguém conseguiu sequer chegar a 80. Mas claramente Curry não está satisfeito. Após o jogo, falou sobre a sequência quebrada:

“Eu amaria ter acabado minha carreira acertando uma bola de três todo jogo. Mas, ei, vamos começar de novo… Foi meio bizarro não acertar nenhuma hoje,  mas vou continuar arremessando.”

Se ainda restava alguma dúvida de que ele iria continuar arremessando, Curry quebrou nessa segunda-feira o recorde de bolas de três pontos convertidas numa única partida, com 13. Alguns recordes vão e outros vem, não é mesmo?

A compilação chega a ser engraçada de assistir: depois de ter acertado meia dúzia de bolas de três pontos, todos os defensores se jogam em cima do Curry quando ele pega a bola como se fosse futebol americano, com Curry simplesmente dando passinhos para o lado deixar os defensores passarem reto e poder arremessar livre. Pra gente lembrar como uma das maiores armas contra as defesas é deixá-las com MEDO de que você acerte arremessos, não precisa nem acertar de verdade – embora, claro, acertar AJUDE MUITO, especialmente se forem treze bolas de três pontos.


Outro que teve uma semana histórica foi James Harden. Ao conseguir três jogos seguidos com ao menos 30 pontos e 15 assistências nessa temporada, Harden igualou o número de jogos de 30 pontos e 15 assistências que aconteceram em TODA A NBA na temporada passada!

Mas Harden não parou por aí: ao manter os números por um quarto jogo seguido, se tornou o primeiro jogador com ao menos 30 pontos e 10 assistências em 4 jogos consecutivos desde Michael Jordan na temporada 1988-89. O Barba está voando como armador principal do Rockets nesse começo de temporada – Derrick Rose, por exemplo, nem viu o Harden passar:

A tentativa de sofrer falta de ataque por parte do Rose lembra aqueles momentos constrangedores em que você está jogando “NBA2K17” e por erro de perspectiva tenta bloquear um atacante a uns QUATRO PASSOS de distância dele. O Porzingis conseguiu ao menos vingar o amigo com um TAPA NO QUEIXO gratuito no Harden, que só não desmaiou porque a barba amorteceu o impacto.


Nessa semana também tivemos as Finais da MLB, a liga de baseball americana. O Cleveland Indians, que não era campeão desde 1948, abriu 3-1 na série melhor de 7 da decisão justamente no ano em que o Cleveland Cavaliers finalmente foi campeão e tirou a seca de títulos profissionais da cidade. Do outro lado estava o Chicago Cubs, dono de uma das mais impressionantes secas da história do esporte, com nada menos que 108 anos sem um título. A chance de que Cleveland fosse campeão no mesmo ano tanto no basquete quanto no baseball parecia a injeção de auto-estima que LeBron prometera à cidade quando retornou para lá. Fã de baseball, LeBron viu todos os jogos que conseguiu ao vivo e estava lá comemorando no Jogo 7 com sua camiseta “Cleveland ou lugar nenhum”:

Mas no que foi uma das mais importantes e imprevisíveis partidas da história do esporte, o Chicago Cubs conseguiu uma vitória espetacular e encerrou sua maldição centenária apesar de estar perdendo a série por 3-1 – aquele mesmo placar que, como Draymond Green fez questão de lembrar, o Warriors tinha antes de tomar a virada e perder o último título para o Cavs.

Quem ficou feliz com essa vitória do Cavs foi Dwyane Wade, torcedor do Cubs e agora jogando em Chicago, que fez uma aposta com LeBron James: em caso de derrota do Indians, LeBron teria que vestir o uniforme do Cubs em Chicago. Para mostrar que cumprirá a promessa, LeBron já conseguiu e vestiu o uniforme, com Wade publicando a foto no seu Instagram parabenizando o espírito esportivo do amigo:

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Ainda no assunto “vestir roupas desconfortáveis”, LeBron James e JR Smith compareceram pessoalmente a um comício de Hillary Clinton para pedir que a população de Ohio compareça às urnas, e olha QUÃO DESCONFORTÁVEL JR Smith está de ter que vestir uma camiseta. Roupas à parte, a corrida eleitoral nos Estados Unidos está chegando ao fim e viu uma polarização sem precedentes – muito parecida com a polarização tupiniquim – capaz de levar muitos atletas e celebridades a endorsar seus candidatos na última hora por medo de ficarem em cima do muro.


Por falar em “em cima do muro”, que tal o Denver Nuggets estar sentado perfeitamente no muro que os separa da melhor e da pior campanha da NBA? Com duas vitórias e duas derrotas nas primeiras quatro partidas, o Nuggets está apenas a 8 pontos de ter PERDIDO todos os seus quatro jogos, e apenas a 5 pontos de ter VENCIDO todos os seus quatro jogos. Todos os jogos tiveram placares apertados decididos por 5 pontos ou menos. O que achar? É time pra Playoff, pra draft ou pra meio da tabela?


Parte do sucesso do Bulls na temporada CERTAMENTE se dá pela presença de Robin Lopez, sempre disposto a subir a moral dos seus companheiros de equipe cantando Miley Cyrus ao pé do ouvido mesmo enquanto o técnico está DESENHANDO AS JOGADAS na prancheta. O Robin Lopez parece aqueles alunos que ficam te atormentando na escolinha enquanto você tenta prestar atenção no professor:


Não restam dúvidas de que essa temporada está sendo recheada de vinganças, com a “lei do ex” correndo solta por aí. Todos os jogadores querem mostrar para suas ex-equipes quem é que manda, e que a vida segue. Mas nenhuma partida foi mais recheada de vingança e ex-amores do que Warriors e Thunder, com clima digno de novela mexicana.

Enes Kanter, que tem como hobby tirar sarro do Durant no Twitter desde que Durant deixou sua equipe, alegadamente gritou “por que você não fez isso nos Playoffs?” após Durant acertar uma bela enterrada em transição. Pouco depois, os dois trocaram algumas amenidades no banco de reservas:

Alimentado pela situação, Durant se tornou o melhor ex da História ao marcar 39 pontos, a maior marca já registrada de um jogador enfrentando seu antigo time pela primeira vez.

Mas Kevin Durant não estava nessa pilha de vingança, até que ele se divertiu bastante ao longo da partida. Quando tomou um toco sensacional de Russell Westbrook, seu ex-companheiro, saiu sorrindo com aquele clima de herói de desenho japonês que tem fetiche por enfrentar os vilões mais poderosos da galáxia:

No fundo, os ânimos estavam mais animados para os personagens “secundários”: Kanter, Adams e os demais jogadores do Thunder queriam proteger Westbrook; Draymond Green e Steve Kerr queriam proteger Durant e vencer o Thunder a todo custo. Kerr estava tão pilhado que teve que ser CONTIDO quando não marcaram uma falta em Curry num arremesso contestado. Aliás, Mike Brown pode não ter sido um dos melhores treinadores da NBA, mas sua abordagem tranquilona e sua capacidade de puxar Kerr pra longe de confusão são essenciais. Nova profissão na NBA: o-cara-que-puxa-técnico-pra-fora-de-confusão:

Por fim, apesar do começo de campanha irregular por parte do Warriors, fica a lição valiosíssima: às vezes a gente ganha não por adicionar uma arma nova, mas por TIRAR a arma do adversário. Ter Durant na equipe significa simplesmente que o Thunder não o tem. Em números: Kevin Durant marcou 25 ou mais pontos durante um primeiro tempo por 4 vezes na carreira, uma delas em sua primeira partida contra o Thunder, e as outras 3 em partidas contra o Warriors. Pois é.


Mascotes Power Ranking

Continuamos com nosso ranking dos melhores mascotes da temporada. Toda semana o mascote que mais se destacou ao tornar o mundo UM LUGAR MELHOR receberá 10 pontos, com menções honrosas a outros mascotes valendo 5 pontos. Dessa vez, o destaque vai para Moondog, mascote do Cavs, que não apenas participa da complexa e impressionante cerimônia ritual de cumprimentos da equipe, mas também TIROU A CAMISETA PARA CUMPRIMENTAR JR Smith, o homem mais incomodado por tecidos e ornamentos na história da civilização:

A menção honrosa vai para o conjunto da obra do Rumble the Bison, o mascote do Thunder, que primeiro regeu uma orquestra sinfônica…

… e depois cumpriu seu dever de cidadão ao doar SANGUE DE BISÃO para os (bisões) necessitados. Ele apenas não parece estar gostando muito do processo:

Ranking da Semana 2

  1. Raptor > 10
  2. Moondog > 10
  3. Rumble > 5
  4. Clutch > 5

Começo de temporada é um momento complicado não apenas porque os times não estão inteiramente entrosados e ainda não encontraram nenhum ritmo, mas também porque a abstinência faz a gente perder o FILTRO (não o “Filtro Bola Presa”, esse só perde quem não é assinante) e assistir qualquer basquete que esteja disponível mesmo que ele feda horrores. Ou seja, lá estava eu aplaudindo feliz da vida quando ocorreram os TRINTA PIORES SEGUNDOS DA HISTÓRIA DO BASQUETE:

São dois turnovers seguidos para o Hornets além de uma bandeja e uma enterrada erradas pelo Sixers em meio minuto. Basquete de altíssimo nível! Quase no mesmo nível do lendário arremesso do Joakim Noah. Dica: quando o defensor ao invés de grudar em você chega a dar um PASSO PARA TRÁS, é porque tem alguma coisa muito errada com sua decisão de tentar um arremesso.


Outro que começou a temporada devagar foi Marc Gasol, que vem tendo um aproveitamento de arremessos bem abaixo de sua média na carreira. Contra o Pelicans essa semana, Gasol acertou apenas 3 dos 18 arremessos que tentou na partida. Sua solução? Pedir em seu Instagram para o pessoal do ginásio tirar o “dispositivo que está bloqueando o aro” para o próximo jogo:

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Um que fez cagada mas pelo menos se desculpou foi Paul George. Frustrado com uma jogada, o mega-Beatles chutou uma bola para a arquibancada e pegou uma torcedora NA BOCA. Ele imediatamente correu para se desculpar, e ela tentou mostrar que estava tudo bem mesmo visivelmente com os miolos chacoalhados.

George foi expulso do jogo pelo ato, mas depois fez questão de que a torcedora recebesse um cartão de desculpas fofo e tão brega quanto os PowerPoints de auto-ajuda da sua mãe:

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Sabe quem também merece um pedido de desculpas? O pivô Jusuf Nurkic, do Nuggets, que teve sua coluna ESTRAÇALHADA pelo DIBRE de Andrew Wiggins. O Nurkic, como bom europeu, já deveria estar familiarizado com um “euro step”, não?


Tem também aqueles que precisam pedir desculpas para o BASQUETE: que tal a fantástica tática de DeMarcus Cousins de criar espaço do seu marcador através do ato de CHEIRAR O SOVACO alheio?

Quando Cousins decide que sua cabeça estará em algum lugar, SUA CABEÇA ESTARÁ NESSE LUGAR e nada no mundo poderá impedi-la! Prova maior é que Hassan Whiteside até desistiu, foi embora, mas a cabeça de Cousins FICOU LÁ, estática, até pedirem um tempo técnico. Você pode até expulsar Cousins de um jogo, mas SUA CABEÇA NUNCA DESISTIRÁ!


REBOTE DA SEMANA

O novato Jaylen Brown pegou o rebote da semana usando APENAS UMA MÃO, fazendo o esforço de Kevin Love pelo rebote defensivo parecer coisa fofa de criança – imagina se ele tivesse usado as duas, então. E pensar que Kevin Love já foi o melhor reboteiro da NBA por temporadas consecutivas:


Um tempo atrás cravei que Kevin Garnett não tinha o perfil para trabalhar na NBA após se aposentar, não apenas porque provavelmente não se interessaria – sua competitividade está muito relacionada às quadras – mas também porque a TV não costuma deixar MÁQUINAS DE XINGAR AMBULANTES aparecerem em rede nacional. Garnett sempre foi famoso por xingar e ofender os adversários durante os jogos, nem sempre de uma maneira divertidinha. A ideia de juntar ele a Rasheed Wallace, o homem-falta-técnica-ambulante, tinha tudo para ser um processo judicial atrás do outro na televisão. Mas famílias tradicionais não temam, porque a TNT inventou o maravilhoso “Botão do Xingamento” e com isso deu esperança para o DeMarcus Cousins conseguir um emprego após o basquete:


Para terminar nosso Filtro da semana restaurando a sempre intermitente FÉ NA HUMANIDADE, ficamos com a sensacional história de Leandrinho perdendo sua cadela Maya e recorrendo à ajuda da comunidade em Phoenix através do Twitter!

Leandrinho externou o amor pela sua cachorrinha, “grande companheira”, e iniciou a campanha #FindMaya (“Encontra Maya”) no Twitter. Pouco tempo depois, a polícia local encontrou a foragida e devolveu a Leandrinho, que agradeceu de coração o Sargento Don Blume:

Fazer parte de uma comunidade – e ser conhecido nela, claro – é ajudar e ser ajudado por muitos nas horas de dificuldade, e a NBA sempre se esforçou para criar esse senso de “coletividade” na relação entre seus jogadores e as cidades que os apoiam. O resultado está aí: Maya de volta pra casa e a certeza de que ao menos hoje na casa do Barbosa, “WE ARE CHAMPIONSHIP”. Até semana que vem! 😉

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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