ūüĒíO melhor ataque da hist√≥ria

Os Playoffs da NBA sempre serviram como uma vitrine importante para que os leigos e os f√£s mais casuais pudessem conhecer as estrelas e os times em ascens√£o de um determinado momento. √Č comum que alguns torcedores, sobrecarregados pela quantidade obscena de jogos da temporada regular, aguardem a p√≥s-temporada para se inteirar das for√ßas dominantes e das¬†novas estrelas, ca√ßando aqui ou ali apenas as not√≠cias mais importantes durante o restante do ano. Mesmo alguns f√£s mais pr√≥ximos da NBA muitas vezes s√≥ possuem tempo suficiente para acompanhar as equipes para as quais torcem, tendo contato com¬†os demais¬†times apenas nos confrontos diretos ou nas not√≠cias e recordes mais bomb√°sticos.

Apenas na s√©tima coloca√ß√£o do Oeste, sem pretens√Ķes de t√≠tulo, longe das expectativas que cercam a metade de cima da tabela e sem uma das j√° consolidadas estrelas dos times rivais, √© natural que o Dallas Mavericks tenha passado despercebido por grande parte dos torcedores. √Č claro que todo mundo ouviu falar, de um jeito ou de outro, de Luka Doncic – h√° um fasc√≠nio natural pelas jovens estrelas, seja porque podemos acompanhar suas trajet√≥rias desde o come√ßo, seja porque queremos bradar que elas nunca¬†alcan√ßar√£o¬†as conquistas dos nossos √≠dolos – mas √© dif√≠cil compreender, sem um olhar mais aproximado, qu√£o bom Doncic verdadeiramente √© ou qual √© o seu real impacto no Mavs e na pr√≥pria NBA. Para isso, serviram os Playoffs: o Mavs n√£o ultrapassou a primeira rodada, foi eliminado pelo favorit√≠ssimo Los Angeles Clippers, mas no seu esfor√ßo herc√ļleo garantiu que qualquer torcedor, do leigo ao mais dedicado, tivesse no√ß√£o de sua grandeza. Doncic √©, j√° no presente, o futuro da NBA, e agora n√£o h√° como deixar de perceber.


Diz a lenda que os pr√≥prios jogadores do Dallas Mavericks n√£o estavam cientes, durante a temporada regular, que possu√≠am o melhor ataque da hist√≥ria da NBA: um jogador disse que foi alertado fora das quadras por um amigo; outros confessaram que s√≥ perceberam quando o t√©cnico Rick Carlisle avisou numa das reuni√Ķes do time ap√≥s a pausa da temporada. O pr√™mio de “melhor ataque”, no caso, n√£o √© fruto¬†de uma vis√£o subjetiva de ataque mais vistoso, mais imponente; vem de uma leitura estritamente fria, matem√°tica. “Melhor ataque”, aqui, significa “ataque mais eficiente”: nunca na hist√≥ria da NBA um time fez mais pontos¬†a cada posse de bola. Isso quer dizer que outros times j√° marcaram mais pontos por jogo, mas correndo mais e com isso gerando mais posses de bola por partida; outros j√° marcaram mais pontos por jogo, mas desperdi√ßando mais a bola, estragando v√°rias posses de bola; e outros j√° converteram bem mais arremessos por jogo, mas em bolas que valiam dois pontos ao inv√©s de tr√™s.

O Mavs √© essa mistura perfeita de arremessos de tr√™s pontos (√© o time que mais converte bolas de tr√™s na temporada, com 15 por jogo, acima at√© do Houston Rockets que √© montado para S√ď FAZER ISSO), pouqu√≠ssimos desperd√≠cios de bola (12.7 por jogo, terceira melhor marca da temporada)¬†e ritmo lento e controlado (em velocidade, √© apenas o d√©cimo oitavo time mais r√°pido da liga). Pode n√£o ser um ataque t√£o vistoso, n√£o tem estrelas em todas as posi√ß√Ķes e, no teste do olho, n√£o parece fazer frente ao atual segundo colocado, o ataque do Warriors da m√≠tica temporada 2018-19. Mas ainda assim √© um ataque mais eficiente, que aproveita ao m√°ximo as posses de bola que tem, e que gera uma quantidade nunca antes vista de arremessos de tr√™s pontos convertidos.

Isso vai contra uma vis√£o de que os melhores ataques modernos s√£o aqueles que CORREM para pegar as defesas advers√°rias desprevenidas. Apenas 11% dos arremessos que o Mavs d√° por jogo ocorrem nos primeiros 6 segundos do cron√īmetro de posse de bola, a menor marca dentre todos os times nessa temporada, o que mostra que a equipe prefere construir suas jogadas para manter o alto aproveitamento. Mas a vis√£o de que o per√≠metro √© o foco central do basquete moderno √© refor√ßada: 57% de todos os arremessos do Mavs acontecem fora do garraf√£o, a maior marca da NBA – o Rockets at√© tenta uma porcentagem maior de seus arremessos no per√≠metro, mas os complementa com bandejas, o que n√£o √© exatamente o caso do Mavs.

E ainda assim, com esse basquete de meia quadra focado inteiramente no per√≠metro, temos uma aberra√ß√£o perto do aro: Luka Doncic est√° entre os 10 jogadores que mais pontuaram dentro do garraf√£o na temporada, √† frente de LeBron James, Anthony Davis, James Harden e uma infinidade de alas e piv√īs que¬†supostamente dominam o jogo pr√≥ximo √† cesta. √Č um desses casos de cobertor curt√≠ssimo: a cada corta-luz, as defesas precisam decidir se defendem Doncic, um dos 10 maiores pontuadores da NBA dentro do garraf√£o, ou se¬†defendem o per√≠metro, onde seus companheiros acertam mais arremessos de tr√™s pontos do que qualquer outro time. E quem decide se infiltra ou se aciona seus companheiros, sem desperdi√ßar a bola para manter o ataque eficiente, √© o jovem Doncic – e praticamente o tempo todo. Doncic finaliza com cestas ou assist√™ncias mais de 35% de todas as jogadas do seu time, praticamente empatado com James Harden e s√≥ atr√°s de Giannis Antetokounmpo, que o faz em 36% das jogadas.

A NBA atual assiste ao auge dos jogadores “quarterbacks”, atletas que passam a maior parte do tempo com a bola nas m√£os e tomam praticamente todas as decis√Ķes importantes de seus times. Somado a Doncic, temos QUINZE jogadores que finalizam ao menos 30% de todas as jogadas de seus times nessa temporada – incluindo¬†a√≠ de times¬†candidatos ao t√≠tulo a times em reconstru√ß√£o. Temos Bucks (com Atentokounmpo), Rockets (Harden e Westbrook), Clippers (Kawhi Leonard), Sixers (Joel Embiid), Lakers (LeBron James), Hawks (Trae Young) e Jazz (Donovan Mitchell), s√≥ para citar alguns. Doncic √© apenas um dos mais badalados expoentes de uma tend√™ncia ineg√°vel no basquete moderno – uma tend√™ncia que est√° gerando n√£o apenas os melhores ataques de todos os tempos, mas tamb√©m os jogadores mais produtivos da hist√≥ria.

Para termos uma ideia, esse ataque mais eficiente j√° visto na NBA marca apenas 6 pontos a mais a cada 100 posses de bola do que a m√©dia da liga nessa temporada. Ou seja, √© um ataque espetacular, sem precedentes, mas que n√£o √© t√£o superior assim ao resto da liga – outros 23 ataques na hist√≥ria da NBA conseguiram vantagens maiores √† m√©dia de suas respectivas temporadas. Na pr√°tica, isso significa que a gente n√£o percebe exatamente qu√£o bom o ataque do Mavs √© porque todos os outros ataques dessa temporada subiram a n√≠veis hist√≥ricos. Com os jogadores, ocorre a mesma coisa. H√° uma estat√≠stica surrealmente complexa, o “PER”, que tenta medir a produtividade de um jogador e adequ√°-la ao ritmo do jogo de seu tempo, de modo que seja poss√≠vel comparar a produ√ß√£o de atletas de diferentes times e √©pocas. Segundo essa estat√≠stica, as 5 melhores temporadas de um jogador na hist√≥ria da NBA¬†incluem a de Michael Jordan na temporada 87-88, a de Wilt Chamberlain na temporada 62-63, e TR√äS jogadores da temporada atual: Antetokounmpo (com a melhor temporada da hist√≥ria em termos de produtividade), Luka Doncic (a segunda melhor temporada da hist√≥ria) e James Harden (a quarta melhor temporada da hist√≥ria). O que esses tr√™s atletas possuem em comum? Times focados no per√≠metro, companheiros de time que evitam o garraf√£o e concedem espa√ßo para que joguem, e a liberdade de decidir como pontuar. Se Bucks, Mavs e Rockets n√£o est√£o atropelando a liga com suas atua√ß√Ķes hist√≥ricas √© apenas porque os outros times conhecem a receita e copiam a seu modo. A era dos super-ataques e dos jogadores ultra-controladores √© t√£o eficiente que aqueles que n√£o se adequam ficam facilmente para tr√°s.


O t√©cnico do Dallas Mavericks, Rick Carlisle, √© conhecidamente um dos t√©cnicos mais controladores da NBA.¬†Foi t√©cnico do ano em 2002, colocando nos eixos o Detroit Pistons que seria eventualmente campe√£o em 2004, mas acabou demitido antes do t√≠tulo porque seu h√°bito de manter o time na r√©dea curta incomodou os engravatados no comando. Pelo Mavs foi campe√£o em 2011, segurando na unha um estilo t√£o r√≠gido de jogo que tirou grande parte da capacidade de decis√£o de Jason Kidd, um dos maiores armadores da hist√≥ria j√° em fim de carreira e relegado a uma fun√ß√£o burocr√°tica no elenco. Carlisle nunca foi muito f√£ de improviso e √© famoso por ficar na lateral da quadra n√£o apenas instruindo seus jogadores, mas escolhendo jogada por jogada – seus armadores n√£o possuem muito espa√ßo para escolher quais movimenta√ß√Ķes executar em quadra.

√Č verdade que, ano ap√≥s ano, Carlisle foi ficando mais male√°vel numa tentativa de adequar-se aos preceitos do basquete moderno, mas foi Luka Doncic quem enviou em definitivo a rigidez e a coleira do t√©cnico privada abaixo. Foram necess√°rios apenas alguns meses no comando de um Doncic rec√©m-chegado √† NBA para que Carlisle percebesse que ele precisava de liberdade para decidir. Quando a segunda temporada de Doncic come√ßou, em 2019, o ataque do time j√° era inteiramente desenhado para que ele decidisse em tempo real os melhores caminhos;¬†at√© janeiro, Carlisle assumidamente focou-se apenas¬†em experimentar¬†com diferentes rota√ß√Ķes de jogadores para melhor adequar o time ao que quer que Doncic estivesse fazendo. Quando fevereiro come√ßou, os jogadores de apoio tinham novas fun√ß√Ķes, Carlisle havia¬†abandonado as r√©deas e o¬†Dallas Mavericks j√° era uma m√°quina ofensiva¬†nunca antes¬†conceb√≠vel. E ao inv√©s das jogadas complexas que marcaram a carreira de Carlisle como t√©cnico, o melhor ataque da hist√≥ria passou a ser baseado em fundamentos bem b√°sicos, como um simples pick-and-roll.

Para o Mavs, o¬†pick-and-roll¬†(jogada em que um jogador com a bola recebe um corta-luz e o respons√°vel pelo corta-luz em seguida corta em dire√ß√£o √† cesta) gera a absurda marca de um ponto a cada posse para o jogador que tem a bola nas m√£os. Para efeitos de compara√ß√£o, o n√ļmero √© equivalente a acertar um arremesso de dois pontos a cada duas tentativas (ou seja, alt√≠ssimos 50% de aproveitamento para marcar 2 pontos a cada 2 arremessos, o que d√° um ponto por arremesso, em m√©dia). Desde que a NBA √© capaz, com suas incr√≠veis c√Ęmeras avan√ßadas de calor, de medir os pontos conquistados por jogadores em situa√ß√£o de pick-and-roll, nunca um time conseguiu marcas t√£o elevadas. E o mais interessante √© que Doncic √© respons√°vel por 50% dos pontos nessa situa√ß√£o; os outros 50% vem dos demais armadores do time: Seth Curry, Trey Burke e Tim Hardaway Jr. Os n√ļmeros individuais de Doncic s√£o ainda melhores nessa situa√ß√£o, mas seus companheiros de time n√£o ficam muito atr√°s – h√° m√©rito de Doncic em tornar esse ataque poss√≠vel, mas h√° algo maior do que ele e que sobrevive aos minutos em que ele n√£o est√° em quadra.

O¬†Mavs √© o segundo melhor time da NBA em aproveitamento de arremesso dos jogadores que fazem o corta-luz, indicando ao mesmo tempo que Doncic √© um passador espetacular nessas situa√ß√Ķes, mas tamb√©m que o elenco de apoio do Mavs tornou-se especialista nessa jogada e na movimenta√ß√£o, de modo que conseguem ficar livres e receber passes mesmo quando Doncic n√£o est√° envolvido. O mesmo vale para os arremessadores: o Mavs est√° entre os melhores times em aproveitamento de tr√™s pontos de jogadores com os p√©s parados, ou seja, de jogadores que ficam apenas no per√≠metro esperando o passe certo. Doncic tem precis√£o cir√ļrgica para encontr√°-los, mas uma vez que os arremessadores tornam-se especialistas nesse tipo de arremesso e os defensores est√£o em p√Ęnico tentando marcar as jogadas de pick-and-roll,¬†mesmo os¬†armadores¬†menos precisos do Mavs¬†s√£o capazes de encontrar esses arremessadores.

Quando Carlisle abriu m√£o de ter um piv√ī agressivo atacando a cesta a cada corta-luz, como ele sempre tentou ter em seus anos de t√©cnico, n√£o apenas tornou as coisas mais f√°ceis para Krsitaps Porzingis – que agora n√£o precisa atacar a cesta, podendo receber passes para arremesso ap√≥s um corta-luz,¬†do modo que ele sempre¬†preferiu – como tamb√©m abriu espa√ßo para que qualquer armador que participe dessas jogadas possa infiltrar e atacar o aro. Doncic faz isso com uma efici√™ncia √©pica, controlando a velocidade de suas passadas e batendo defensores mesmo ser mais r√°pido do que eles, mas mesmo Seth Curry e Tim Hardaway Jr., dois arremessadores especialistas, mostraram-se bons jogadores em infiltra√ß√£o com tanto espa√ßo para a cesta gra√ßas ao medo causado nas defesas pela presen√ßa de arremessadores nas demais posi√ß√Ķes. H√° um vov√ī basqueteiro dentro de cada um de n√≥s que quer que Porzingis use seus 2,21m de altura para jogar dentro do garraf√£o, mas √© bem longe do aro – e com apenas 20 pontos por jogo – que ele permite a exist√™ncia do ataque mais eficiente da hist√≥ria da NBA.

Certamente nos lembraremos de Doncic por conta do seu arremesso heroico na prorroga√ß√£o do Jogo 4, para empatar a s√©rie no estouro do cron√īmetro:

No entanto, o aproveitamento de Doncic nas bolas de três pontos ainda é baixo: 31% de aproveitamento, e pouco mais de 15% em momentos de pressão (o que tornou essa bola final ainda mais fora da curva e, portanto, épica). O que explica melhor o impacto de Doncic na NBA e o ataque que o Mavs conseguiu montar são jogadas bem mais comuns: as bandejas em que o armador contorna todo mundo porque há medo de seus passes para o perímetro.

No vídeo abaixo, por exemplo, podemos ver como ele reduz sua velocidade para que o defensor acabe perdendo o momento correto de contestar seu arremesso, e consegue uma bandeja fácil:

No vídeo abaixo, Doncic desacelera tanto, mas tanto, que acaba tendo espaço entre ele e o defensor para converter um floater, esse arremesso com uma mão por cima do adversário:

S√£o exemplos de como um jogador com amplo repert√≥rio ofensivo n√£o precisa ser explosivo, n√£o precisa ser r√°pido, n√£o precisa pular a oito metros de altura: ele s√≥ precisa que n√£o exista um piv√ī no garraf√£o para par√°-lo, e de muitos arremessadores competentes ao seu redor.

Doncic √© um fen√īmeno, com apenas 21 anos e uma capacidade de tomar boas decis√Ķes e controlar o pr√≥prio ritmo¬†como poucos atletas da hist√≥ria do basquete. Ainda assim, sua mera presen√ßa n√£o deveria criar o melhor ataque de todos os tempos; dar a ele liberdade n√£o deveria ser suficiente para ele ter a segunda melhor temporada individual da hist√≥ria em termos de produ√ß√£o; t√™-lo em quadra n√£o deveria bastar para empatar uma s√©rie em 2-2 contra um Clippers que tem alguns dos melhores defensores individuais da temporada. H√° algo mais: Doncic √© a marca de um tempo, de uma era. Ele √© o jogador perfeito para um estilo espec√≠fico de basquete que, segundo as estat√≠sticas, √© o modo perfeito de se jogar em termos de efici√™ncia – ao menos por enquanto. O que o Dallas Mavericks oferece a Doncic – tanto em Carlisle quanto¬†no resto de¬†seu elenco – √© a possibilidade de jogar um estilo de basquete muito, muito dif√≠cil de marcar. Se estrelas como Doncic, Harden e Antetokounmpo est√£o tendo algumas das melhores temporadas da hist√≥ria do basquete √© porque as ferramentas para esse “basquete perfeito” s√£o agora razoavelmente f√°ceis de estabelecer: n√£o √© necess√°rio colecionar um monte de estrelas, ter no elenco tr√™s ou quatro membros do Hall da Fama ou um apanhado de All-Stars; bastam arremessadores, pick-and-roll, gente inteligente para estar nos lugares corretos, uma estrela capaz de tomar boas decis√Ķes e uma confian√ßa irrestrita nesse novo estilo de jogo que n√£o para de quebrar recordes.


O √ļnico momento em que o Mavs parece n√£o poder confiar nesse plano de jogo √©, infelizmente, no final de jogos apertados. Mesmo tendo um ataque t√£o dominante (e uma defesa¬†bem perto da m√©dia da temporada, o bastante para n√£o comprometer demais), o time se classificou apenas em s√©timo na Confer√™ncia Oeste em parte por conta do p√©ssimo aproveitamento no final dos jogos. Foram ao todo 14 vit√≥rias e 21 derrotas, a pior marca da liga, em jogos¬†que tiveram uma diferen√ßa de 5 pontos ou menos nos 5 minutos finais. Nesses momentos o Mavs tem o quinto pior ataque da temporada – e antes da “bolha” era ainda pior, na vig√©sima nona posi√ß√£o – com um aproveitamento pat√©tico de 21% nas bolas de tr√™s pontos. Doncic, como dissemos, v√™ seu aproveitamento despencar para os 15% no per√≠metro, o que √© impratic√°vel.

D√° vontade de apontar os culpados de sempre: inexperi√™ncia, juventude, falta de rodagem nos Playoffs, um armador de 21 anos de idade. Mas desconfio que exista algo mais, j√° que Antetokounmpo e Harden tendem a sofrer do mesmo mal – at√© LeBron James j√° viu o aproveitamento de suas equipes despencar em jogos apertados. Um palpite? O fato de que em jogadas cruciais, assim como nos minutos finais, times tomam medidas defensivas mais desesperadas. √Č comum vermos times n√£o cederem espa√ßo num corta-luz ao pedir que os defensores troquem de alvos, ainda que com isso tenham que defender advers√°rios de tamanhos muito diferentes. Al√©m disso, defensores nesses momentos s√£o mais agressivos, contestam mais arremessos, dobram ou triplicam a marca√ß√£o nessas estrelas centralizadoras da bola e n√£o hesitam em deixar livres os jogadores mais obscuros do oponente. Nessas horas, times que fazem uso do jogador “quarterback” parecem mais fr√°geis – j√° cansamos de ver Harden ser obrigado a passar a bola para o lado e o Rockets, sem os espa√ßos criados por ele, ter poucas op√ß√Ķes de resposta, por exemplo.

Doncic é a nova cara do basquete, não só porque ele é jovem e espetacular e estamos acompanhando de perto sua carreira, mas principalmente porque ele representa um estilo de jogo que deve tornar-se o padrão da NBA nos próximos anos e deixará todos os recordes antigos de eficiência obsoletos, envergonhados num cantinho. Mas ainda faltam ajustes para que a nova cara Рe o novo estilo de se jogar Рsaiba vencer em jogos apertados, em momentos importantes, contra defesas mais desesperadas. Adequar-se a isso será o próximo passo do Mavs, e o resto da NBA estará de olho, aprendendo, imitando e de olho na próxima futura estrela capaz de controlar inteiramente um ataque. O arremesso no estouro de Doncic já foi um bom indicativo de que há esperança para os grandes momentos nos grandes palcos, mas na NBA todos querem ganhar um título Рos recordes de eficiência, infelizmente, não bastam.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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