Últimos jogos para rever no League Pass nesta semana

Há algumas semanas a NBA liberou o League Pass DE GRAÇA para todos nós termos alguma coisinha a mais para fazer nessas incontáveis horas que temos que passar em casa para o bem geral da humanidade. Para quem não conhece, é a hora de se apaixonar: além da chance de ver TODOS os jogos ao vivo, o League Pass nos deixa ver todas as partidas passadas desta temporada na íntegra e ainda cortando intervalos comerciais.

Embora a gente não saiba ainda ao certo se a temporada 2019-20 da NBA vai ter fim ou como ele será, já tivemos muitas grandes partidas desde outubro do ano passado até a semana retrasada e vamos lembrar aqui de algumas que merecem atenção. Há duas semanas separei um duelo entre LeBron James e Luka Doncic, uma vitória simbólica do Milwaukee Bucks, duas atuações heroicas de novatos e um final de jogo absurdo. Na semana passada a lista tinha Carmelo Anthony, o estrelato de Jayson Tatum, a maior virada da temporada e até uns times ruins se enfrentando. Hoje encerramos nosso Vale a Pena Ver de Novo 2020 com inovações táticas contra e favor do Houston Rockets, um duelo de jovens estrelas em New Orleans, as batalhas de Los Angeles e um dos melhores amistosos de todos os tempos:


SEGUNDA-FEIRA: Inovações desesperadas
Denver Nuggets x Houston Rockets (20 de Novembro de 2019)

A história foi muito bem contada por Zach Lowe na ESPN: depois de ser massacrado em casa pelo fraquíssimo Atlanta Hawks e os 42 pontos de Trae Young, o técnico Mike Malone disse que seu Denver Nuggets não poderia perder de novo para um show de um homem só. Oito dias depois o time recebeu o Houston Rockets e dessa vez o time estava pronto para não ser de novo massacrado no mano-a-mano. O plano era dobrar a marcação sobre James Harden o jogo todo, sempre que ele chegasse no meio da quadra, às vezes até antes e fazê-lo passar a bola para qualquer um antes que tivesse qualquer chance de arremessar ou cavar uma falta.

Deu certo. Quer dizer, certo levando em conta o nível que Harden joga: ele fez 27 pontos, ONZE e menos que sua absurda média na época, e arremessou “apenas” 16 vezes, SEIS vezes a menos que sua média na temporada. Foi o bastante para o Nuggets vencer a partida e sair um pouco da freguesia: o time havia apanhado do Rockets em 10 dos seus últimos 11 duelos.

Em um post exclusivo para assinantes no começo deste ano, o Danilo explicou o lance: “vejam que assim que a dobra de marcação de Paul Millsap acontece, mesmo que NADA esteja acontecendo na jogada, Harden imediatamente aciona Russell Westbrook com um passe picado. Westbrook tem espaço para arremessar, mas com um defensor se aproximando (para impedir uma possível infiltração), Westbrook manda a bola para a zona morta, onde Austin Rivers é contestado, devolve para Westbrook e aí a defesa do Nuggets já está totalmente recomposta. Westbrook decide, então, começar TUDO DE NOVO: devolve para Harden, acontece mais uma dobra, e Harden tenta de novo passar para Westbrook. Mas nesse ponto já restam apenas 4 segundos no cronômetro de arremesso e Paul Millsap sabe exatamente o que vai acontecer na jogada, interceptando o passe e permitindo uma cesta fácil de contra-ataque”.

A história já seria interessante por si só, mas ela fica melhor quando vemos as consequências ao redor da liga. Apenas DOIS DIAS depois desse jogo o LA Clippers já imitou a defesa contra Harden e no jogo seguinte o Dallas Mavericks fez o mesmo. O San Antonio Spurs repetiu a receita na semana seguinte. Quando chegou a vez do Hawks, justo a inspiração do começo da história, eles viram como é difícil fazer essas sobras sem pessoal qualificado e disciplina: tomaram SESSENTA pontos de um Harden já preparado para o que iria encarar. Ao longo da temporada muitos outros times tentaram, com intensidade ou regularidade distintas, aplicar a defesa de dobras exageradas sobre Harden. Ela até serviu como justificativa para a troca de Clint Capela por Robert Covington meses depois, na Trade Deadline. Assistir a esse jogo do Nuggets é ver uma grande e inovadora atuação defensiva, o nascer de uma semente que influenciou diversos times nesta temporada e colocou Harden no patamar de poucos jogadores na história da liga, um daqueles que forçam técnicos a pensarem em coisas absurdas só para pará-lo um pouco.


LA

TERÇA-FEIRA: As Batalhas de Los Angeles
Los Angeles Lakers x Los Angeles Clippers – Os três rounds (22/10, 25/12 e 8/3)

Até hoje o LA Clippers só havia tido dois bons momentos: primeiro em 2006, quando alcançou o Jogo 7 da semifinal do Oeste em um time liderado por Elton Brand e o veterano Sam Cassell e depois, nesta última década, com o time de Chris Paul e Blake Griffin que também morreu, em sua melhor versão, em um Jogo 7 de semifinal do Oeste. Esses períodos raros tem uma coincidência estranha: foram também os raros anos de fracassos do rival angelino. Em 2006 o Lakers conseguiu apenas um sétimo lugar e caiu na primeira rodada dos Playoffs, um ano depois de nem ter passado para o mata-mata. O período de 2012 a 2017 é ao mesmo tempo o primeiro da história do Clippers em que o time vai para a pós-temporada por mais de TRÊS anos seguidos e o primeiro em que o Lakers ficou fora dos Playoffs por mais de DOIS anos seguidos.

A temporada 2019-20 trouxe, finalmente, um cruzamento de caminhos. O Clippers realizou seu sonho máximo e trouxe Paul George e Kawhi Leonard enquanto o Lakers trocou por Anthony Davis para fazer par com LeBron James. Com o ano de PAUSA do Golden State Warriors, tínhamos os dois favoritos do Oeste na mesma cidade, no mesmo ginásio e com histórico de birras: LeBron ignorou o Clippers quando quis se mudar para Los Angeles, enquanto George preferiu renovar com o OKC Thunder no mesmo ano ao invés de tentar a sorte na sua cidade natal. Nesta offseason Kawhi também recebeu oferta do Lakers, que esperou por ele até o último minuto, mas dizem as más línguas que ele nunca cogitou ser parceiro de LeBron e só ficou fazendo charme até escolher o rival. Some a isso as campanhas publicitárias do Clippers que tenta se firmar como antítese do Lakers, a soberba da torcida muito maior do Lakers, as provocações de Patrick Beverley e o fato dos melhores jogadores atuarem na mesma posição que temos a receita perfeita para duelos inesquecíveis.

Todos os três duelos que aconteceram nessa temporada merecem ser assistidos. O primeiro foi logo na rodada de estreia, com vitória convincente do Clippers. Nesse jogo LeBron pareceu lento e com dificuldade de infiltrar, e a defesa física do Clippers não deixou Davis ou qualquer outro jogador do Lakers a pontuar no garrafão. Apesar de uma reação no final graças a arremessos de Danny Green, jogo dominado pelo Clippers. Na Rodada de Natal, um replay: mais uma vitória do Clippers, com magnífica atuação de Kawhi e mais defesa exemplar. Naquele momento LeBron ou Davis não haviam liderado o Lakers em pontuação em apenas duas partidas no ano, justamente as duas contra o rival local. A resposta veio no último fim de semana de temporada regular, quando o Lakers vinha de uma vitória categórica sobre o Milwaukee Bucks e embalou com outra atuação IMPECÁVEL contra o Clippers: dessa vez LeBron e Davis marcaram TODOS os pontos do Lakers no último quarto e garantiram a primeira vitória no confronto direto. Recado dado.

Há muito para ver e comparar entre as três partidas: pelo lado do Clippers vale perceber como o time não tem medo de jogar simples. Kawhi e George às vezes se empolgam no mano-a-mano e é assustador como são bons nisso, mas quando dá errado sentimos falta de mais variação. Vindo do banco, Lou Williams e Montrezl Harrell também fazem o feijão com arroz e torturam pelo cobertor curto de marcar dois jogadores tão perigosos. O Lakers teve dificuldade com tudo isso nos três jogos, o que implicou em menos contra-ataques, parte importante do ataque do time de Frank Vogel. Do outro lado incomoda ver como o Clippers sabe manter LeBron fora do garrafão e que basta isso para o ataque do Lakers parecer bem mais vulnerável e pouco criativo. O time também sabe fazer Davis receber a bola longe do garrafão, onde é bem menos eficiente. Há contra-ataque para tudo isso, porém, como vimos no segundo tempo da última partida, onde LeBron conseguiu “fugir” de Kawhi para atacar Lou Williams e Marcus Morris e de repente dominar o ataque:

São os dois melhores times do Oeste. Eles se odeiam, jogam com intensidade e buscam soluções táticas para bater um ao outro. Não tem erro, isso é o mais próximo que vamos chegar de assistir jogos de Playoffs neste mês de Abril.


QUARTA-FEIRA: A hora e a vez do Super Small Ball
Houston Rockets x Boston Celtics (29 de Fevereiro de 2020)

Lá em cima citamos que a marcação dupla sobre James Harden fez o Houston Rockets decidir trocar o pivô Clint Capela pelo ala Robert Covington, então aqui temos uma das várias boas oportunidades para ver como o time de Mike D’Antoni se adaptou ao seu bizarro supersmallball. Poderíamos ter escolhido a estreia de Covington contra o alto quinteto do LA Lakers ou mesmo jogos pré-troca, quando a experiência já estava em andamento devido a uma lesão de Capela. Mas esse jogo contra o Boston Celtics é melhor que tudo isso: nessa partida vemos o Rockets contra uma das melhores defesas da NBA, uma que sabe muito bem enfrentar times mais baixos e que coloca tudo isso em prática no primeiro tempo da partida. A mesma partida ainda mostra as soluções do Rockets no segundo tempo e um final de jogo eletrizante. Exemplo ideal.

Acompanhar esse jogo é conhecer, de uma vez só, como incomodar essa formação super baixa do Rockets e, depois, perceber como ela pode ser completamente indefensável às vezes. É também a chance de ver outro final de jogo completamente absurdo: quem não lembra de Jayson Tatum errando o próprio lance-livre, pegando o rebote e passando para Jaylen Brown salvar o dia?

Taticamente vale a pena observar como no primeiro quarto, quando o Rockets tomou uma surra, o time não conseguiu tirar proveito do garrafão totalmente descongestionado. Contra a maioria dos adversários esse espaço para infiltrações são o bastante para Russell Westbrook e James Harden deitarem e rolarem, mas passar por Jaylen Brown, Jayson Tatum e Marcus Smart no mano-a-mano não é bolinho…

Na sequência da virada no terceiro quarto, por outro lado, vemos como às vezes é simplesmente muita pressão para dar conta. A atenção exagerada sobre Harden deixa Tatum um passo atrasado em relação a Westbrook, que passa por ele e encontra um garrafão livre, sem pivôs, para descer a enterrada. Depois a agressiva defesa do Rockets (essencial para compensar a falta de pivô) gera contra-ataques rápidos e velozes que podem acabar tanto em enterradas como em bolas de 3 pontos, um ataque mortal:

Outro ponto importante de escolher essa partida é Westbrook: pelos últimos meses ele foi muitas vezes mais decisivo e protagonista que Harden. Claro que muito disso vem do fato dos outros times forçarem o Barba a se livrar da bola, mas foi revelador ver como Westbrook lidou com a situação, se aproveitando da oportunidade para se tornar indefensável como nos seus melhores anos de OKC Thunder. E ele fez isso sem forçar arremessos de longa distância como querem as defesas rivais, mas atacando a cesta e colocando pressão na defesa rival. Bom ver ele de volta!


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QUINTA-FEIRA: Brandon Ingram versus Donovan Mitchell
New Orleans Pelicans x Utah Jazz (16 de Janeiro de 2020)

Nas outras semanas coloquei na lista jogos de jovens jogadores que tiveram atuação marcante para mostrar que são estrelas. Primeiro foi Ja Morant contra o Houston Rockets, depois a partida antológica de Jayson Tatum contra o LA Clippers. Hoje é dia de dar holofote a Brandon Ingram. Depois de dois anos conturbados no Lakers, ele finalmente deslanchou pelo New Orleans Pelicans: melhorou em TUDO, está mais confortável arremessando e no controle de bola e não parece ter sentido qualquer pressão de assumir o protagonismo do time quando Zion Williamson se machucou ainda na pré-temporada.

Essa partida contra o Utah Jazz, em Janeiro, foi aquela peça final para fazer muita gente que ainda estava em dúvida dar seu voto para colocar Ingram em seu primeiro All-Star Game. Ele não só marcou 49 pontos como fez praticamente todos os pontos do time nos minutos finais, incluindo o arremesso que deveria ter sido o da vitória a menos de um segundo do fim. O que ele não contava era com um lance BIZARRO que aconteceria em seguida: falta do novato Jaxon Hayes sobre Rudy Gobert durante uma tentativa desesperada de passe em ponte aérea. O francês acertou um dos lances-livres e levou o jogo para a prorrogação, onde finalmente o Pelicans conseguiu vencer.

Vale a pena ver de novo também pelo duelo individual do último quarto. Se de um lado Ingram marcou 49 pontos, do outro Donovan Mitchell fez QUARENTA E SEIS. Era só um dos dois acertar uma bola difícil de um lado que o outro tratava de responder na mesma moeda. O tanto de arremesso contestado, com a defesa na cara, que os dois fizeram nesse jogo é para aplaudir de pé. Se você gosta de duas jovens estrelas inspiradas em um jogo decidido no fim, esse é pra você. Se você não gosta, você não gosta de basquete.


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SEXTA-FEIRA: O melhor All-Star Game da história?
Team LeBron x Team Giannis (16 de Fevereiro de 2020)

Bom, depois de ANOS sem dar bola, me dei ao trabalho de escrever sobre o All-Star Game porque dessa vez realmente havia muito a ser dito. Até ANÁLISE TÁTICA rolou, para ver o nível da coisa! Não vou repetir tudo aqui, mas pode clicar no link se você tem alguma dúvida de que esse Jogo das Estrelas vale sua atenção. Se bater a preguiça até pode correr direto para o último quarto: novas regras, sem tempo no relógio, meta de placar, poucos pontos, muita defesa, os melhores jogadores do planeta e todos muito engajados em fazer a gente amar basquete ainda mais. É como se eles soubessem que precisávamos de algo assim antes de ir para um período de seca.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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